Num cômodo cheio de corpos em movimento, numa hora indefinida da escuridão do dia, nascia uma expressão qualquer enraizada pelo prazer de ser comum e sentir o que é comum.
Sofia reprimia o seu instinto emocional porque tentava encontrar a “sofisticação” que transcendia o seu nome. Ela não tinha preconceitos de misturar-se com os outros, apenas queria seu destaque que era de direito por acreditar na influencia da escolha do nome das pessoas. A atitude freqüente a tornava não só vazia mais como deslocada de tudo. A garota tinha a imagem tão limpa quanto à honra de obter à tão sonhada classe, mas não se sentia tão bem como a imagem denotava.
O tempo passou e o seu desejo de auto-afirmação aumentava com uma intensidade sempre multiplicativa. Até que um dia, em mais uma de suas saídas noturnas, ela se viu na vontade de extravasar os gestos, quando deu por si estava destruindo uma imagem que ela cultivara desde sempre. A reação da platéia era de espanto, a de Sofia era de satisfação somada a certeza de estar fazendo o que é correto para si.
A forma de Sofia ir até o chão demonstrando que nem toda a sua sapiência, supostamente suficiente para o convívio social e o bem-estar dela, resultaria no seu ser semelhante à imagem inatingível e gloriosa para todos os habitantes do seu círculo social. O sorriso era a ação mais espontânea já vista desta menina que mais parecia um robô a momentos atrás. Tudo ia bem. Até o encontro íntimo de ser quem é de Sofia. Ninguém sabia se aquela cena se repetiria mais Sofia sabia que iria e pensava que nada ia fazê-la esconder o que sentia.
Mais uma vez as horas e os dias fluíram como tinham que ocorrer, de acordo com a lei da natureza. A imagem de Sofia já havia sido “denegrida” e outra havia a substituído – a expressiva. E como tudo tem seu preço, assim como todo prestígio de antigamente resultante de sua inerte pose, Sofia obteve como resultado de todas suas expressões as críticas difamantes de uma sociedade hipócrita. Deparara-se mais uma vez com o deslocamento de seu ser. Tentou reatar o prestígio de seu nome, mas não havia como apagar o que vivera e nem sabia como viver, pois, não sabia mais nem expressar o que sentia para as pessoas que a interpretavam de forma inócua. Então se isolou do mundo até não ver mais nada que lhe era incomodante, enxergou a mutilação provocante do seu ego ferido e descobriu que a verdadeira classe é a de saber ser você não sem perder a pose, mas sem perder os seus princípios com a dos outros. Silenciou-se pra sempre deixando um sentimento mais ínfimo de não saber viver.
Como dizia Pink Floyd em The Wall...
ResponderExcluirMuito bom o texto...
Andavas sumida.
Bons dias