18.6.12

A insegurança e o egoísmo


A insegurança soa muitas vezes como um defeito humano, mas o que não aparenta habitualmente é que ela vem de algo muito mais usual do que o ato do homem em si ser cheio de falhas. Ela vem de algo que provém do quanto o homem se conhece e na sociedade de o quanto ele se determina mais do que qualquer outra pessoa. Talvez ser egoísta ajude as pessoas a se machucarem menos por causa dos problemas inter-relacionados às incertezas. E será que ser egoísta nos ajuda em uma real autodescoberta?
Se se analisar os percalços do egoísmo, ele pode ser analisado como algo bem vantajoso. A pessoa que se vê primeiramente e só em seguida permite as suas demais objeções serem direcionadas as outras pessoas consegue amenizar bem mais as suas “queda”, decepções, frustrações. Porém, o egoísmo pode ser compreendido como uma válvula de escape para os covardes, porque nem sempre ignorar o outro lado que nos cerceia é o mais sensato a se fazer... por ser essa apenas uma ação mais fácil de realizar, e que, com isso, é perdida a oportunidade de aprendermos com as decepções, as frustrações, as diferenças.
É relevante a angulação dos fatos de forma a considerar que nem sempre se visar antes do que qualquer outra coisa seja algo realmente egoísta. Cada valoração vai depender de que e de quem você está utilizando em uma relação comparativa de você mesma. Dependendo dos seres equiparados, ignorar um dos lados pode ser positivamente válido ou não, pois o outro lado pode não só não trazer coisas produtivas como também produzir uma sensação se mal estar para você.
Citar estes argumentos para explicar os lados interpretativos do egoísmo é intencional para uma melhor compreensão de sua relação com a insegurança inicial do texto. A insegurança aborda a sensação de vulnerabilidade que nos permitimos em relação aos outros seres do nosso círculo social, ou até mesmo da sociedade em geral. Em outros termos, a insegurança só se pode ser solucionada se você encara essa sensação de vulnerabilidade e a troca por uma auto segurança, advinda de uma certeza pessoal que só se conquista com o tempo e com as experiências adquiridas ao decorrer do tempo. Mas que de alguma maneira tal conquista só é viável com as experiências valorativas que temos uns dos outros, os quais podem induzir ao egoísmo por assim nos considerarmos melhor do que as outras opções valorativas que descartamos nessas comparações.
Em suma, tudo isto pode aparentar uma dissertação metafísica do tema... Porém o que leva-nos a compreender, ao reconsiderar os argumentos em uma reflexão a cerca de como nos sentimos ao sermos inseguros ou seguros demais, é que não nos achamos tão bem nas relações humanas competitivas que nos encontramos e das quais não gostamos nem da cogitação de perder nessa competição; o egoísmo é algo que pode ser usado para amenizar toda essa vulnerabilidade instituída no modo de organização social atual; e de que a insegurança pode ser até considerada como aspecto pertencente às pessoas “fracas”, mas é algo totalmente lógico se analisado em uma totalidade atual de relações sociais.

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