A insegurança soa muitas vezes
como um defeito humano, mas o que não aparenta habitualmente é que ela vem de
algo muito mais usual do que o ato do homem em si ser cheio de falhas. Ela vem
de algo que provém do quanto o homem se conhece e na sociedade de o quanto ele
se determina mais do que qualquer outra pessoa. Talvez ser egoísta ajude as
pessoas a se machucarem menos por causa dos problemas inter-relacionados às
incertezas. E será que ser egoísta nos ajuda em uma real autodescoberta?
Se se analisar os percalços do
egoísmo, ele pode ser analisado como algo bem vantajoso. A pessoa que se vê
primeiramente e só em seguida permite as suas demais objeções serem direcionadas
as outras pessoas consegue amenizar bem mais as suas “queda”, decepções,
frustrações. Porém, o egoísmo pode ser compreendido como uma válvula de escape
para os covardes, porque nem sempre ignorar o outro lado que nos cerceia é o
mais sensato a se fazer... por ser essa apenas uma ação mais fácil de realizar,
e que, com isso, é perdida a oportunidade de aprendermos com as decepções, as
frustrações, as diferenças.
É relevante a angulação dos fatos
de forma a considerar que nem sempre se visar antes do que qualquer outra coisa
seja algo realmente egoísta. Cada valoração vai depender de que e de quem você
está utilizando em uma relação comparativa de você mesma. Dependendo dos seres
equiparados, ignorar um dos lados pode ser positivamente válido ou não, pois o
outro lado pode não só não trazer coisas produtivas como também produzir uma
sensação se mal estar para você.
Citar estes argumentos para
explicar os lados interpretativos do egoísmo é intencional para uma melhor
compreensão de sua relação com a insegurança inicial do texto. A insegurança
aborda a sensação de vulnerabilidade que nos permitimos em relação aos outros
seres do nosso círculo social, ou até mesmo da sociedade em geral. Em outros
termos, a insegurança só se pode ser solucionada se você encara essa sensação
de vulnerabilidade e a troca por uma auto segurança, advinda de uma certeza pessoal
que só se conquista com o tempo e com as experiências adquiridas ao decorrer do
tempo. Mas que de alguma maneira tal conquista só é viável com as experiências
valorativas que temos uns dos outros, os quais podem induzir ao egoísmo por
assim nos considerarmos melhor do que as outras opções valorativas que
descartamos nessas comparações.
Em suma, tudo isto pode aparentar
uma dissertação metafísica do tema... Porém o que leva-nos a compreender, ao
reconsiderar os argumentos em uma reflexão a cerca de como nos sentimos ao
sermos inseguros ou seguros demais, é que não nos achamos tão bem nas relações
humanas competitivas que nos encontramos e das quais não gostamos nem da
cogitação de perder nessa competição; o egoísmo é algo que pode ser usado para
amenizar toda essa vulnerabilidade instituída no modo de organização social
atual; e de que a insegurança pode ser até considerada como aspecto pertencente
às pessoas “fracas”, mas é algo totalmente lógico se analisado em uma
totalidade atual de relações sociais.
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