11.12.10

O apuro e a descrição

Não sei se é o apuro, que me excita, ou se é a falta de descrições das coisas habituais que me suplementa. E como nada é justo ou muito lógico na vida, vou definhando os argumentos de uma tentativa de resolução desse paradoxo pela descrição da minha forma de ver as coisas.
O apuro tem uma face tão agitadora.  Já as descrições são tão serenas e tão limitadoras, no primeiro impacto, que se mostram menos excitantes a primeira vista. Mas se as descrições forem bem analisadas, lidas e relidas, é possível entender que elas podem sim ser mais ampliadas do que qualquer apuro inicial. O que acontece, creio eu, é que como o apuro provoca a falta de pensamentos na hora H, e as coisas ficam de difícil entendimento, o apuro parece mais provocante e interessante. É desse jeito que acontece o meu suplemento, que pode até não ser maior do que o vindo das interpretações das descrições habituais, mas que me dão mais energia de querer ser o que eu não posso ou consigo dizer.
Apesar disso, descobri que tem certas descrições que servem de estímulo também, como advinda de uma relação diferente entre pessoas. É aquela que as descrições não tornam essa relação como de possível definição concreta, por mais que essa seja a intenção. Mas que, mesmo assim, sem ter certeza de nada, se faz necessária. A descrição que é filha de um impulso da vontade de revelar para outras pessoas os pensares em um momento específico seu. Em que os parâmetros dessa relação são amplos demais e não podem ser contidos em si mesmos, nem sequer cogitarem a idéia de uma tentativa fugaz da falta de razão. Porém, não é essa necessidade de dividir os pensamentos que me proporciona a ensejadora animação do apuro usual, que pertence ao cotidiano, mas a animação de saber que a descrição de a relação peculiar é a única forma que consigo explicar os limiares do meu querer, e que se expande tanto em mim, que não me corta a vontade de ser ou dizer o que eu quiser ser.
Assim, as descrições vão me aumentando de uma forma curiosa e embrutecedora, porque por mais que eu não consiga por um ponto conclusivo em toda minha forma de expressar, consigo desenhar os contornos do meu pensar e sentir, mesmo que não na íntegra. Dessa forma, minha excitação pelo apuro se equivale ao ato de descrever, mas de descrever apenas em certa circunstância do meu viver. E acabo por desvelar que o apuro não está em a falta de pensamentos de uma situação qualquer, mas está em toda forma de não se distinguir, independente se se diz ou não, se se tenta pensar ou não. E creio que isso  acaba por se tornar o apuro mais em apuros que uma pessoa pode se pôr. E que me coloco constantemente ao dispor.

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